sábado, novembro 12, 2011


Timbres negros os contornos
da funérea procissão.
Marcha sem real razão.
A loucura e os transtornos

em forma de símbolos môrnos
do desespero sem causa
na tempestade sem pausa
de uma poesia a transpôr-nos,

emoções negras e trompas
a soá-las estrada fora.
Circunstância e pompas.

Extravagância soturna sem pudôr
de majorar do sofrer a Hora:
além-ânsia, da violação o ardôr.

--

Possessos seres os grifos.
Esvoaça-se todo o Egipto
de amplas asas e um grito.
Fendem da ânsia os cacifos.

Morte alada que sobrevoais
espectros de mitologia
e a ainda maior fantasia,
rapinar humanos; ódios tais.

Encabeço a figura da ave.
Justiça com as garras proclamo
e a carne não lhes é entrave.

Fado merecido p'la arte trucido,
que até o próprio Zeus, meu amo,
p'ró homíneo banquete convido.

--

Pinturas de côr desalmada.
Limpa-se o vermelho do queixo
e a figura em arte deixo
da proibida fome saciada.

Sobre a negrura é alada
a rima-vingança atroz,
do poeta a terceira voz
misantropia consumada.

O tempêro quente do excesso
é o sangue na noite gelada
a irrigar malhas que teço

tôrno à hora fria do ingresso
p'la Catedral que é o Nada;
À dôr e à raiva agradeço!